Três Real
Living is easy with eyes closed
31 de Janeiro de 2007
Aqui é legal de correr na rua. Lá perto de casa é ainda mais legal, tem mais mato. O legal é que Curitiba é uma cidade pequena, leva-se 20 minutos pra cruzar a cidade de carro (eu faço isso todos os dias) e o centro é no centro de verdade. Em POA o centro é no canto (junto ao Rio Guaíba) então centro-bairro é sempre longe. O que eu acho mais engraçado é que o povo aqui acha a cidade violentíssima, com um trânsito caótico e graaande, tipo, fazem uns comentários tipo “Pô, vou ter que cruzar a cidade pra ir a tal lugar”.
E se você gosta de parques piraria mais ainda em Curitiba, porque os parques são de cair o queixo. A minha região (Pilarzinho) é ultra bem servida de parques. Tem o São Lourenço, o Bosque do Papa (liiiindo, mesmo, amo, é fofíssimo) e tem a Universidade Livre do Meio Ambiente (te falei de lá dia desses, se eu não me engano), tive uma sensação incrível de bem estar na primeira e única (por enquanto) vez que eu visitei esse lugar. Esse sim, é atrás da minha casa. Tipo, os passarinhos comem minhoca lá na minha casa e tomam água na Universidade Livre pra desembuchar.
Não sei se você conhece o centro de Curitiba. É tudo impecavelzinho, tem aquelas lojas típicas de centrão, o povão e tudo mais, mas é tudo infinitamente mais ajeitadinho. A rua principal tem câmeras de vigilância em toda a extensão. Você não fica mais de 2 minutos com um papel de bala na mão, sempre tem um lixinho ao alcance da mão. E se você não é curitibano como eu, não se preocupe, pois a cidade é cheia de placas, ultra bem sinalizada e tem um trânsito lento, mas incrivelmente bem planejado. Tudo bem que na medida em que você se afasta do centro as placas e lixeirinhas vão rareando, mas como te disse a cidade é pequena.
Ok, chega de loas a Curitiba.
12 de Janeiro de 2007
Sabe o Esmorildo? O Fabiano, o nosso companheiro de morar em São Chico. Ele tomou todas (todo mundo tomou todas, mas ele tomou todas big style). Tava tomando cuba. Daí acabou o gelo. Daí ele abriu a gaveta e catou a minha faca mais afiada e resolveu RASPAR A GELADEIRA com a faca pra fazer uma FROZEN CUBA. Daí a BESTA se descontrolou e deu um TALHO GIGANTE no fundo do freezer da minha linda geladeira branquinha com menos de um mês de uso. Bem, turns out that I’m very mad.
Isso foi no final da festa, eu já tinha curtido bastante. Depois do evento da geladeira meio que perdi a totalidade do meu humor. Fora isso foi bem legal, bebemos todas, comprei torta, tinha bastante gente, eu fiquei botando um som, cantamos parabéns (o convencional, não o gaudério) e tudo mais que está contido numa festinha de aniversário.
Lembrei de você e da nossa conversa sobre karma. Depois de retalhar o meu freezer, o Fabiano RASPOU O CARRO NO MURO na hora de sair.
Mas eu gosto dele, juro. Ele que abusa da amizade.
8 de Janeiro de 2007
- Conheci e me apaixonei por Paris
- Depois de quase dez anos, voltei à International House of London
- Trabalhei em uma cozinha profissional
- Morei em Barcelona
- Deixei São Chico e mudei-me para Curitiba
- Conheci muita gente boa MESMO. Não lembro de ter conhecido alguém notoriamente mala
- Dirigi a 160 km/h
- Comecei a trabalhar no Sebrae do Paraná
- Engordei bastante
- Suei bem menos do que deveria
- Voltei a praticar taekwondo
- Cortei o cabelo e me arrependi
- Ganhei pouco dinheiro e isso não acabou com o meu ano
- Aprendi um monte de coisas novas e reaprendi coisas velhas
- Paguei aluguel pela primeira vez
- Amei muito mesmo
- Cuidei pouco do meu corpo
- Abri bastante minha cabeça e meus horizontes
- Estive saudável. Me alimentei bem e não fiquei doente, nem um pouco
- Passei longe de qualquer rotina
- Me esforcei até onde podia para quebrar velhos preconceitos
- Bebi mais do que o limite do saudável
- Bati papos maravilhosos com gente inteligente
Com um ano passado tão bacana, fica difícil pedir qualquer coisa para 2007. Mas que fique registrado o meu comprometimento em FAZER com que 2007 seja como 2006. Prometo me esforçar para estar consciente, esperta e observadora. Prometo falar cada vez menos e escutar cada vez mais, sem me tornar esquisitona. Prometo manter a espinha ereta at all times. Quero continuar dando a mesma liberdade para todo mundo que eu amo. Quero tentar mudar quem eu amo dando bons exemplos e não longos discursos. Prometo avaliar cada opinião, por mais que o primeiro impulso seja ser do contra. Prometo repetir em voz alta a frase de Sócrates Só sei que nada sei acompanhada de um beliscão no braço cada vez que surpreender a mim mesma dando uma de Ms. Know-it-all. Prometo me desenvolver sustentavelmente, na medida do possível, tentando gerar menos lixo e fazendo coisas legais para compensar os danos causados pelo lixo e esgoto produzidos por mim. Evitarei comprar só por comprar. Prometo ser a minha melhor professora, correndo atrás da solução de todas as minhas dúvidas. Quero ser curiosa como uma criança, perguntando muitas e muitas vezes Por que?. Quero curtir meu corpo e quero usá-lo com sabedoria. Quero ser muito mulher, gostosa, bonita, sensível e incrivelmente quente. Quero ajudar quem precise de mim, sem virar as costas. Well, thats a whole lot of stuff.
8 de Setembro de 2005
Não disse? Ele vai chegar às cinco.
Sério, pensando cá com meus botões não consigo lembrar de alguma vez que ele tenha chegado no horário combinado.
E sabe o que é mais engraçado? Ele acha isso normal, ele não acha que seja propriamente um defeito.
Pois eu acho que é uma falta de educação animal, um umbiguismo ridículo.
Ainda mais que não é só comigo que ele faz isso. É com todo mundo.
Mas é isso, espero que a vida ensine alguma coisa pra ele em relação a isso.
Tipo, tomara que ele perca alguma grana por não chegar no horário.
Adoro falar sozinha com você.
Requer um pouco de imaginação, sim, mas mesmo assim é bom.
E você é um cara legal, sei que estaria concordando comigo.
Mandando uns emoticons motivadores.
Essas coisas que as pessoas legais fazem.
Alô.
Ok, agora meio que fiquei sem assunto para falar comigo mesma com você.
29 de Agosto de 2005
Tipo, eu estava tentando fazer um filme da Windy indo pegar o toco no meio da lagoa
Daí eu já tinha feito um take, mas queria fazer outro pra ver se ficava melhor
O Thiago tava com o toco na mão, pronto pra lançar, esperando eu dar o ok
Daí eu "espera eu dar o ok, tá? espera eu dar o ok! não joga sem eu dar o ok!"
E ele com o toco ali, ready to launch
Daí sem querer eu dei um play no filme que eu tinha feito antes
E pelo visor ele aparecia jogando o toco
E eu "Eeeei!!!! Não disse pra você esperar eu dar o ok??????"
Daí quando eu olhei, com a cara mais enfezada do mundo, ele ainda tava com o toco na mão, esperando
Eu rachei o bico
Ele não entendeu nada
24 de Junho de 2005
Pré-venda
Sucessos Brasileiros no Gerúndio
A Montezzana Records, sempre trazendo ao público as mais importantes novidades, compilou nesse lançamento grandes sucessos da música brasileira, cantados nos moldes do gerundismo. Sucessos Brasileiros no Gerúndio está entre os trabalhos mais ambiciosos da Montezzana Records e precede uma série de lançamentos ainda para o ano de 2005.
Faixas:
Estarei ficaaaando
Ficando com certeza
Maluco beleza
É o bicho, é o bicho
Estarei te devorando
Crocodilo eu estarei seeeendo
Pois esta vida não está sendo sopa e eu pergunto:
com que roupa?
Com que roupa que eu estarei indo
pro samba que você me convidou?
Vamos estar fugindo
Pr'outro lugar, baby
Vamos estar fugindo
Pr'onde quer que você esteja indo
Que você esteja me carregaaando
Prazo de Entrega:
1 dia útil: Cidade de Joinville e região
Outras localidades? Ligue para saber o prazo de entrega
(válido para compras com cartão de crédito aprovado na 1ª tentativa e efetuadas até às 20 horas)
Opine sobre esse produto:
"Com certeza esse é o melhor CD da Montezzana Records, uma coletânea para
ficar em nossos corações e em nossos ouvidos para sempre."
"Já encomendei o meu (...), mal posso esperar a entrega. Confesso que não achei
que a música brasileira encontraria uma gravadora que entendesse tão bem a
vontade do público."
"Só por ser da Montezzana Records já merece ser comprado. As faixas foram
muito bem selecionadas, parabéns!!"
15 de Junho de 2005
saca o círculo vicioso
salários baixos atraem mocorongos
mocorongos amadores
salários altos atraem intelectos fodidos
salários baixos espantam intelectos fodidos
2 de Junho de 2005
Faz parecer que se a empresa resolvesse não pagar mais salário pra ninguém, todos continuariam COLABORANDO para o bom funcionamento da empresa.
Yeah, right.
Além de você ter que passar OITO das vinte e quatro horas do dia com a BUNDA COLADA na cadeira na frente de um micro, ainda te chamam de COLABORADOR.
Eu COLABORO com as estatísticas, COLABORO com o market share da Skol em Santa Catarina, COLABORO com a limpeza da cidade não jogando lixo no chão. Aqui eu sou EMPREGADA, executo tarefas em troca de um SALÁRIO.
Just to make things clear.
20 de Maio de 2005
LEI Nº 001, DE 20 DE MAIO DE 2005
Estabelece normas para o patrocínio de bolos, tortas, cucas, salgadinhos e similares de equivalente teor calórico na unidade Marquês de Olinda da SoftExpert Informática e Automação Ltda.
A DIRETORIA PARA ASSUNTOS ALEATÓRIOS, no exercício de seu cargo, faz saber que deverá se cumprir a seguinte lei:
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art 1º A cada movimentação de funcionário ou estagiário, deverá o mesmo patrocinar, sem restrição de custo, alimentação de alto teor calórico para o restante dos colegas de trabalho.
Parágrafo Único. Estão inseridos no âmbito dessa lei os novos estagiários e funcionários, estagiários recém efetivados, funcionários em processo de transferência de uma unidade para outra, funcionários agraciados com promoção vertical ou horizontal e funcionários voltando de períodos de ausência superiores a dois meses, em razão de licença maternidade ou viagem a trabalho ou férias.
I As guloseimas deverão ser servidas a todos os colegas, sem distinção de cor, raça, credo ou departamento.
II Está terminantemente proibido o patrocínio de alimentos de baixo teor calórico, tais como frutas, pães integrais, iogurtes naturais e similares.
III A guloseima, seja ela de qualquer tipo, deverá vir acompanhada de 2 (duas) garrafas de refrigerante Pet 2 litros, de boa marca e procedência.
IV Após a degustação das guloseimas, a cozinha deverá ser deixada em perfeito estado de limpeza e conservação, por funcionário ou estagiário designado pela Diretoria de Assuntos Aleatórios.
V As guloseimas deverão ser servidas no horário entre as 16hs30min até às 17hs.
§ 1º Os diretores de todas as áreas (comercial, financeiro e técnico) estão automaticamente inseridos no âmbito dessa lei, pela simples razão de receberem salários mais altos do que a média dos funcionários.
Art 2º Aqueles que, por qualquer motivo, negarem-se a cumprir a lei acima estabelecida, estarão sujeitos às seguintes penalidades:
I Desprezo dos colegas por um período máximo de 5 (cinco) dias.
II Acesso negado ao pote de balas e às térmicas de café, também pelo período máximo de 5 (cinco) dias.
Joinville, 20 de maio de 2005
10 de Maio de 2005
Coprofagia, prática de comer fezes. Ocorre naturalmente em algumas espécies de insetos e aves. Relata-se também tal prática em seres humanos, porém sob a categorização de patologia de ordem psíquica. Existe farto material de ordem hedonista a respeito do tema, principalmente proveniente do oriente.
Mariana Montezzana diz:
Nossa, o colega mais babaca ever tá comendo um salgadinho com o MAIOR FEDOR DE MERDA do mundo.
Mariana Montezzana diz:
Nessas horas se confirma aquele velho ditado: você é o que você come.
Mariana Montezzana diz:
Nossa, tá todo mundo horrorizado com o fedor de merda que tomou a sala em poucos minutos.
Mariana Montezzana diz:
Pode, isso? Uma pessoa simplesmente abrir um pacote de petiscos sabor cocô e achar que está tudo bem?
Mariana Montezzana diz:
Me faz até imaginar o petisco vendendo no mercado internacional
Mariana Montezzana diz:
"now shit flavored!"
4 de Maio de 2005
O que me parece é que estar de alguma forma descontente, puto da cara, revoltado, amargurado (com razão ou totalmente sem causa) resulta numa produção de texto bem melhor, numa ironia finíssima e num ar blasé que eu sempre procurei nas coisas que eu leio. Olhando um pouco de longe, muitas das músicas que eu escuto, dos livros que eu leio, da arte que eu admiro e dos filmes que eu gosto são feitas por gente branquela e com um ar perturbado.
E eu não sou mais assim. Fui, com muito orgulho, durante muito tempo, mas agora já era. Hoje eu sou família coração, estou casadinha, bronzeada, moro na beira da praia, evito frituras, tenho um labrador, arrisco um esporte de vez em quando, dou risada, sou - na maior parte do tempo - simpática, noto que cada dia mais as pessoas entendem as minhas piadas e mais muitas outras coisas que estão fazendo de mim, gradativamente, um ADULTO FELIZ.
E, por Deus, uma pessoa feliz não pode produzir bom conteúdo. Uma pessoa feliz faz as coisas acontecerem, está mais preocupada em ser gente boa com os outros do que ficar se matando pra arrumar um texto ácido o suficiente, não tem mais tanta coisa pra falar mal e, se tem, não está nem aí. É claro que eu ainda conservo com carinho o meu gosto pelo Black Sabbath, pela old ultraviolence da Clockwork Orange, pela Fiona Apple, pelo caos sistemático, pelo terrorismo poético, pela Hilda Hilst e pelo Tarantino. Ainda sou, de uma forma bem mais sutil, uma computer geek, ainda prefiro a literatura russa, embora eu esteja muito, muito mais flexível em relação a isso. Ainda sou eu, só que com pouquíssimo talento para escrever. Bem, tomara que eu troque esse talento por um outro qualquer. Só espero que não seja jogar xadrez.
Resumindo, eu não sou mais o tipo de pessoa que escreve o que eu gosto de ler. E se eu não gostar de me ler, ninguém mais vai.
Mas, como eu sou brasileira e não desisto nunca, let us give it a try.
24 de Março de 2005
Livros lançados na linha editorial de Quem Mexeu no Meu Queijo:
- Eu Mexi no Seu Queijo
- Quem Cortou o Queijo?
- Socorro: Roubaram Meu Queijo
- Chega de Queijo: Só Quero Sair da Ratoeira
- Quem Mexeu no Meu Queijo? Para Jovens
Eu não estou nem aí. Na verdade isso tudo é muito sadio. Os OTÁRIOS estão aí exatamente pra isso: para que os ESPERTOS possam lucrar com eles.
11 de Março de 2004
Abrir a janela e botar a cabeça lá fora
Cabelos cheirosos ao vento ajudam
Deu um problema aqui
Os e-mails dos GVMs, que são do Terra
Pararam de funcionar ontem
O GILDO é quem cuida disso, lógico.
Daí eles começaram a ligar, todos ao mesmo tempo
Eu liguei lá no Terra
Acho até que já te falei
Eles disseram que PERDERAM os comprovantes:
"Senhora, houve um problema com o Banrisul"
Daí cheguei hoje aqui
Eles já tinham ligado quinhentas vezes, né? Os GVMs.
Lógico
Aí eu liguei lá
"Senhora, seu acesso consta como liberado no nosso sistema"
E eu
"Tem um GVM aqui na minha frente, e ele não consegue acessar"
E ela
"A senhora ligue no suporte técnico, opções 3 e depois 3"
E eu liguei
ESPEREI 14 MINUTOS NA LINHA
GASTANDO O EXTRATO DO MEU RAMAL, PQ NEM UM 0800 OS PUTOS DO TERRA TÊM
E caiu no acesso broadband, e o acesso deles é discado
Eu disse o CNPJ da Cia 3 vezes até o ananás que me atendeu conseguir entender
Daí ele disse
"A senhora vai ter que ligar novamente, opção 2 e depois opção 2"
Eu liguei
Tente imaginar o tremular leve dos meus dedos
Minhas bochechas coradas
Falei o CNPJ mais duas vezes
E ele disse "Senhora, há uma pendência de cobrança"
E eu
"Senhor, acabei de me ligar e me pediram pra ligar aqui"
E ele
"Senhora, infelizmente...."
E eu liguei novamente na cobrança
E ela disse que estava tudo Ok, que eu teria que ligar novamente no suporte
Eu não vou ligar mais
Simplesmente não vou
Ok, vou. Mas só mais tarde. Pela honra da pátria.
Eles estão rindo dela só porque ela é feia. Feia mesmo. Um diabinho. Mas, porra, não precisa ficar tirando sarro da cara da guria. Tudo bem que a guria podia ter encurtado a história da visita à Pirelli. Aposto que, se fosse uma daquelas loirosas gostosonas daqui, eles não ririam. Eles escutariam boquiabertos, olhando-se de quando em quando. Assistiriam calados ela mudar o cabelo de lado, enquanto cruza e descruza as pernas, fazendo gestinhos comedidos no ar com suas mãozinhas bem feitas, ornadas por uma singela aliançinha dessas que se ganha em festa de 15 anos. A professora
imediatamente caminharia até ela, apoiaria os dois braços na classe e a olharia no fundo dos olhos. Os colegas certamente andariam em direção à ela (inclusive as gurias), um dos caras já tirando os tênis. Um outro testaria o mau-hálito, aproximando a palma da mão em concha ao nariz e expirando forte para sentir o cheiro que exala. No princípio, a guria pareceria muito assustada, mas logo perceberia tudo e abriria as pernas, solícita. Uma outra guria inicia a montagem de uma grande cama composta por classes. O mais forte pega a guria no colo e a deita na cama improvisada. Ela mesmo começaria a tirar a roupa e seria prontamente ajudada pela professora, que seria a primeira a tocá-la, dando-a uma generosa lambida meio aos seios. Um bateria punheta nervosamente, enquanto bloqueia a porta com seu corpo gordinho. A guria feia seria a última a tirar a roupa. Quando ela finalmente terminasse de tirar a calça jeans barata, ergueria-se no meio da sala e teria belos seios e uma bela bunda e um belo par de coxas e seria muito muito muito mais gostosa do que a outra guria.
Daí bateria o sinal. E a guria feia gozaria.
9 de Outubro de 2003
mariana is mentioned
mariana is $1
mariana is too high
mariana is no longer a physical one
mariana is pure
mariana is happy
mariana is not cared for
mariana is an excellent writer
mariana is a wonderful heroine
mariana is on the right
E para finalizar:
mariana is locked in a state of perpetual
Obrigada, Googlism.
30 de Agosto de 2003
11 de Julho de 2003
Três Real: Agora que o semestre letivo acabou e que todo mundo passou numa boa, me respondam sinceramente: vocês acham que esse trabalho idiota é realmente importante para o funcionamento ordenado do cosmo?
Colegas de Grupo que me Odeiam: Evidentemente. Como nossos hábitos de leitura não ultrapassam as páginas da Você S.A e nossa escritora favorita é a Martha Medeiros, para nós é praticamente impossível escrever qualquer coisa meramente inteligente.
TR: Tendo em vista a baixíssima complexidade daqueles trabalhos que nos pedem para fazer na faculdade, vocês acham mesmo que é necessário que o grupo se reúna duas vezes por semana para discutir os tópicos da apresentação?
CGQMO: Claro. Esses encontros, além de serem uma oportunidade para que nossos lentos cérebros entendam o que o professor quer, são também uma maneira discreta de provocar um encontro contigo, para que possamos fazer aquelas nossas tradicionais carinhas de bunda suja, desdenhar qualquer opinião que tu dê e desconsiderar totalmente tuas colocações acerca do trabalho.
TR: Será que toda essa raiva de mim pode estar relacionada com o fato de vocês serem feias, xaroponas e trabalharem em repartições públicas idiotas?
CGQMO: Veja bem: todo esse ódio é fruto do cruzamento de uma série de variáveis, começando por aquela tua jaquetinha preta que nós achamos linda, tuas francesinhas bem feitas e teu desprendimento para conversar com o professor. Além disso, que espécie de pessoa lê livros de literatura russa?
29 de Maio de 2003
CARONA
Eu vinha na estrada sozinho, fazendo aquela rota Porto Alegre-Ijuí, a que eu mais odeio. Recém tinha saído de um restaurante chinelo onde tinha comido qual porco. Meus olhos já estavam baixos e na minha cabeça já brotavam idéias cretinas como "Vou fechar os olhos um pouquinho, só pra dar uma descansada, mas logo abro". Foi aí que eu a vi, dedinho em riste pedindo carona. De longe já fui pensando: Feito. Dou carona e vou falando bobagem até conseguir comer. Não sou bonito. Sou esforçado, já dizia o meu pai. Parei bem ao lado dela com uma freiada meio brusca e a poeira da estrada fez com que ela fechasse os olhinhos, irritada. Puxei a cordinha que abre a porta e ela entrou. Vestia uma daquelas saias de crente até o tornozelo e carregava uma sacolinha de plástico que parecia vazia. Apesar do comprimento da saia, pude ver um pedaço da perninha fina e mal-depilada, e isso me fez sentir bem. A guria entrou, largou a sacola atrás do banco e ficou olhando pra frente com um olhar meio perdido. Eu perguntei pra onde ela ia, ao que ela respondeu apenas com um aceno do bracinho peludo e branco, que eu entendi como sendo um "Sei lá, foda-se". Enquanto ela tirava da sacola um daqueles radinhos prateados de camelô, eu ia fazendo meu planejamento tático com o objetivo único de comê-la. Pra mim, o bacana da vida está nisso: dias chuvosos, barulhos de foda, erros de português na Zero Hora, sacos de retalhos de queijo e presunto e meninas de perninhas mal-depiladas escutando radinhos de camelô.
Segui viagem sempre empenhado em atrair a atenção da guriazinha, que agora roía compenetrada uma bolachinha recheada amolecida.
Quando já é noite, bem noite, ela me olha. Prende os cabelos sujos com um rabicó esgaçado e abaixa a cabeça, sem dizer palavra. Quando me dou conta, ela já está tentando abrir o velcro da minha bermuda com as mãozinhas magras. Quando consegue, agarra minhas bolas com força. E dói. Vai largando devagar, e então começa a chupar o meu pau rápido demais, com força demais. Eu já não controlo bem o pé no acelerador, e a velocidade vai aumentando sem eu perceber. É aí que ela abre a porta do caminhão e se joga na rua. Só o que dá pra ver pelo retrovisor é a sainha de crente voando. A guria é tão leve que chega a picar umas três vezes no acostamento, antes de parar no meio de umas pedras na beira da estrada. Eu segui viagem. Ainda faltava muito pra chegar em Ijuí.
23 de Maio de 2003
MAIS UMA DA MINA DO CRISTAL
Tem essa cadeira que eu faço na faculdade, que chama Formação de Novos Negócios. O objetivo dessa cadeira é que, ao final do semestre, o aplicado aluno apresente um plano de negócios, que nada mais é do que o esqueleto para a implementação de uma empresa. Até aí, tudo bem. Mas sabe a Mina do Cristal? Aquela pentelha esotérica a quem eu me referi há alguns posts atrás? Pois é. Não é que a mina foi lá na frente e apresentou uma série de transparências com fundo roxo e rosa propondo a abertura de uma loja de malditos artigos esotéricos? Não é que a mina falou durante 32 longos minutos na frente de uma platéia de 50 alunos de terceiro grau sobre uma loja fedorenta de artigos esotéricos, onde ela planejava oferecer toda a sorte de cursinhos idiotas para pessoas abostadas sobre Cristais, Mandalas, fases da lua e Gnomos? Tudo bem que estude comigo os mais variados tipinhos imbecis, mas será que eu mereço mesmo uma COLEGUINHA ESOTÉRICA?
17 de Maio de 2003
Agora é sério: o próximo que entrar no meu carro e me perguntar como é que eu consigo viver sem rádio sofrerá uma morte lenta e dolorosa através de métodos incrivelmente inovadores. A porta do veículo se abrirá e uma alavanca automática baixará a cabeça do indivíduo até o nível do asfalto. Primeiramente, serão 500 metros raspando o couro cabeludo no chão, numa velocidade média de 100 Km/h. Feito disso, o carona será puxado de volta ao interior do veículo, onde um dispositivo fálico armado na parte inferior do assento proporcionará ao passageiro momentos bastante inesquecíveis. A experiência só termina quando o já combalido caroneiro tem sua roupa arrancada totalmente e em seguida é ejetado por uma potente catapulta escondida no interior do veículo, que o projeta diretamente na parte mais profunda e infecta do Arroio Dilúvio, onde será obrigado a nadar pelado até encontrar ajuda. Espero que o doloroso procedimento tenha sido satisfatoriamente esclarecido. Obrigada.
14 de Maio de 2003
Além do rango do refeitório aqui do trabalho ser, na melhor das hipóteses, sofrível, tem esse exaustor na saída que piora ainda mais a situação. Depois de deleitar-se com porções pouco generosas de cenoura murcha e um naco de carne muito nervosa, o cidadão ainda é premiado na saída com um jato à queima-roupa de um bafo quente e pesado proveniente de um exaustor que sai da fritadeira industrial deles direto pro teu cabelo. Digamos que, à noite, eu não conseguisse lembrar o que comi no almoço. Bastava que eu cheirasse a pontinha dos meus cabelos para que logo viesse à minha cabeça: polenta frita.
2 de Maio de 2003
PROJETO SEXTA-FEIRA SILENCIOSA
A regra hoje é não falar frases de mais de cinco palavras. A regra é responder com concisão a qualquer pergunta, sem acrescentar julgamentos ou qualquer outra palavrinha desnecessária. Interjeições estão completamente fora de cogitação. Toda e qualquer comunicação de baixa complexidade será feita através de movimentos de cabeça ou de mãos. Hoje não proferirei discursos inflamados acerca da qualidade da comida no refeitório e nem discutirei com quem mandar impressões desconfiguradas na minha HP. O Projeto Sexta-Feira Silenciosa é fruto de vários anos de observação atenta a diálogos travados em diversos locais, desde elevadores de prédios comerciais até cabines de pedágio. O Projeto, se implantado da maneira correta, tem o poder de eliminar até quase 100% da emissão de opiniões rasteiras sobre qualquer assunto.
***
Hum. Acabei de voltar da cozinha, onde falei cerca de dez minutos sobre a composição do Nescafé Cremoso. Droga.
29 de Abril de 2003
Se alguém chegasse agora e me fizesse uma oferta do tipo trocar minhas duas horas de almoço por um aumento substancial do meu salário líquido eu pensaria algumas vezes antes de aceitar. Se fosse feito um estudo cuja amostra compreendesse um grupo de pessoas que tem duas horas de almoço e um outro grupo com apenas uma hora, certamente seria verificado no primeiro grupo uma acentuada tendência ao melhor ordenamento mental. Para aqueles que, mesmo sendo escravizados pela mais valia, são contemplados com duas abençoadas horas de almoço, segue relação de dicas de como aproveitá-las da melhor forma possível:
A) Almoçar calmamente no refeitório, observar atentamente as movimentações do estagiário gostosinho até o buffet e depois ir até a loja de conveniência do Zoológico tomar um cafezinho cremoso de máquina e comer um Alpino Biscuit;
B) Almoçar no refeitório em cinco minutos, sair direto pro salão de beleza e lá ter minhas unhas delicadamente manicuradas e esmaltadas em estilo francesinha pela Sílvia, a Melhor Manicure do Universo;
C) Ir pra minha casa a menos de três quilômetros daqui, recolher minha gatinha no caminho e ir pra cama escutar Fiona Apple, roendo feliz uma barrinha de cereal sabor castanha;
D) Ir até o Shopping de Canoas e lá parar na frente dos cartazes do Cinemark, pensando em como seria divertido mandar o trabalho às favas e se enfiar numa sessão vazia do filme do Leitão.
Tá, mas se fosse uma grana foda eu topava.
16 de Abril de 2003
Depois de anos tramitando em juízo, foi divulgada ontem, no Planalto Central, a nova lei Lei de Empréstimos de LPs e CDs da Mariana. Em primeira mão, o Três Real cumpre um dever quase cívico publicando o texto ipsis literis, transcrito abaixo:
LEI DE EMPRÉSTIMOS DE LPS E CDS DA MARIANA
Parágrafo Um: Qualquer indivíduo que tomar emprestado um disco (Long Play ou Compact Disc) deverá devolvê-lo no prazo estipulado pelo proprietário. Caso não seja estipulado prazo algum, o tomador deverá devolver no prazo recomendado pela etiqueta (uma semana).
Parágrafo Dois: Caso o tomador perca o disco ou o enfie propositalmente em algum orifício do seu corpo, deverá providenciar cópia idêntica dentro do prazo estipulado pelo proprietário, sendo que é terminantemente proibida a reposição através de cópias piratas com um encarte chinelão xerocado.
Parágrafo Três: No caso de perda, serão tolerados dois casos de indisponibilidade do disco no mercado:
1) Se o disco for importado, o tomador deverá acessar o site Amazon.com e adquirir cópia do original do disco, pagando com dólar a R$ 3,30 só para deixar de ser fresco.
2) Se o disco estiver fora de linha, o tomador deverá usar a Tabela de Equivalência de Discos da Mariana, que segue:
ORIGINAL/EQUIVALENTE
The Bends (Radiohead) / White Bloody Cells (The White Stripes)
Play (Moby) / Dois sacos de balas 7 Belo
Parachutes (Coldplay) / R$ 15.000 em dinheiro
Tigermilk (Belle & Sebastian) / Um loiro bem alto
Parágrafo Quatro: No caso do não cumprimento das premissas estipuladas nos parágrafos anteriores, serão aplicadas as seguintes penalidades, a serem escolhidas pelo proprietário de acordo com o apreço pelo disco emprestado:
PENALIDADE 1 (Nível baixo de apreço) - Na PENALIDADE 1, o tomador será condenado a passar o resto da vida trancado numa salinha escura ouvindo Vinny (Heloísa Mexe a Cadeira) no repeat.
PENALIDADE 2 (Nível intermediário de apreço) - Na PENALIDADE 2, o tomador será automaticamente transformado num esbelto dançarino de banda de pagode, onde será obrigado a apresentar-se diante de milhões de pessoas trajando apenas um macacão de lycra rosa pink atolado no rabo.
PENALIDADE 3 (Nível avançado de apreço) - Na PENALIDADE 3, o tomador vira um disco pirata à venda no chão da Andradas, é apreendido pela Polícia Federal e depois triturado por um rolo compressor em praça pública, diante de dezenas de transeuntes impressionados.
Brasília, 16 de Abril de 2003.
O governo já adiantou que será duríssimo no cumprimento das penalidades e que exceções não serão toleradas. Obrigada.
14 de Abril de 2003
E RECOMEÇA A IMPLICÂNCIA COM A FACULDADE
Fico realmente com pena dos meus colegas de faculdade. Dá pra acreditar que eles ficam BRAVINHOS comigo porque eu sento sempre em lugares diferentes dentro da sala de aula? Eles querem o lugarzinho deles, pra que eles possam sentar perto dos coleguinhas e emitir opiniões cretinas que sempre começam com "Na minha empresa..." e talicoisa. Pffff, humanos.
11 de Abril de 2003
COCEIRA II
Desces do metrô. É o mesmo caminho de sempre, com a sapataria e as casas feias. Estás cansada e cantas baixinho. É aí que começa. No início, é só uma coceira miúda e insistente. Torces as pernas com angústia, mudas a pasta de mão. Apertas o passo, vencendo rapidamente os metros da rua comprida. Mordes os lábios, nervosa que estás. De nada adianta, a maldita coceira só faz aumentar. Tentas em vão pensar em outra coisa. Olhas para os carros que passam, catalogando mentalmente as placas. Não funciona. Sempre caminhando muito rápido, abres a pasta em busca de algo. Lá de dentro, tiras uma grande régua metálica. Fazes arquitetura, é natural que carregues esse tipo de coisa. Passas para o lado mais escuro da rua, abres o zíper da calça jeans e lá dentro enfias a régua. Coças, coças muito. Já sentes o braço cansado, já imaginas os milímetros te rasgando a pele. A régua também não resolve o teu problema. Lembras da aspiral de plástico duro do polígrafo de Estruturas II. Sim, a aspiral funcionará. Não pode haver, no mundo, coceira que uma grande aspiral não elimine. É então que te dás conta de que já estás perto do prédio. Quando chegas, mal consegues selecionar a chave para entrar em casa. Pesadas lágrimas rolam pela tua bochecha. Cruzas com a tua mãe que assiste a novela na sala e, quando ela pergunta o que te aconteceu tu respondes, bem faceira:
- É só uma coceira.
E vais pro teu quarto escutar o novo do Coldplay.
9 de Abril de 2003
BALANÇO DE ANIVERSÁRIO - MANHÃ
17 abraços, sendo 12 de meninos e 5 de gurias
2 mensagens no celular bastante bonitinhas
5 e-mails extremamente agradáveis
4 ligações telefônicas, sendo duas de meninos muito lindos
8 felicitações via Messenger, duas acompanhadas de emoticons sorridentes
0 presentes, que dureza
0 beijos de língua, mas tem muito aniversário pra rolar ainda
1 mico típico de aniversário, aqueles onde a pessoa vai te dar só dois beijinhos e tu faz um biquinho pra receber um terceiro
FELIZ ANIVERSÁRIO, FELIZ ANIVERSÁRIO (CLAP, CLAP)
É pra ser aquela musiquinha de telemensagem, saca?
E hoje é meu aniver. É. Aham. Eu sei. Obrigada.
7 de Abril de 2003
A PERGUNTA
Demorou um tempinho até eu achar o lugar certo, com as pessoas certas. Escolhi um prédio da prefeitura, um de 12 andares ali no centro. Rua bem arborizada, de paralelepídedos. Bonitinha. O problema seria o ponto de táxi, bem na frente. Mandei o currículo pelo correio e esperei sentada ao lado do telefone, durante quatro dias inteirinhos. E eles ligaram, querendo falar comigo pessoalmente. Me vesti correndo e fui para o ponto de ônibus no final da rua. Não foi difícil ser contratada. Meu currículo é bom.
Aproveitei o primeiro dia pra conhecer melhor a máquina, fazer complexos cálculos de velocidade e tempo das paradas. Ao final do expediente fui pra casa e fiz gráficos no Excel. Com mediana, média, moda, tudo. Imprimi aquilo tudo e colei nas paredes, com marcações feitas com caneta cor de limão. Fiz desenhos no chão, com giz branco. Deitei na cama e esperei. Às 7, levantei e tomei um banho com água gelada. Foi aí que eu me dei conta: Caralho, a minha vida começa e termina hoje. Tudo o que eu aprendi até hoje foi pensando nesse dia, hoje. Eu nasci justamente pra fazer isso. Para ouvir a pergunta. Saí de casa e fui cantando uma antigona do Caetano até a parada.
Cheguei cinco propositais minutos atrasada e tentei não aparentar ansiosidade. Não podia estragar tudo. Não agora. Entrei para dentro do elevador e ajustei o banquinho para o meu tamanho. Liguei o ventilador e, uns instantes depois, o elevador começou a se mover. Subindo. Entrou uma moça de uns 20 anos, feinha e antipática. Imaginei que ela fosse fazer a pergunta, mas ela desceu no sexto andar sem dizer palavra. O elevador recomeçou a subida, para parar logo em seguida no oitavo andar. Homem alto de pele muito branca e gravata de paramécios. Ele sorriu e fez menção de dizer algo. Eu podia jurar que ele faria a pergunta e, quando ele começa a falar, toca o celular. Ele desce no décimo andar, ainda falando. E me sorri, grato. Não era um sorriso que eu queria. Eu queria que ele tivesse feito a pergunta. Ele sai e alguém segura a porta com o pé. Um homem de uns quarenta e poucos. Não dei muita importância. Mas devia. Porque era ele. Ele fez a pergunta. Ele abriu a agenda, anotou alguma coisa e me olhou, perguntando:
- Calor, né?
Eu levantei, já tirando a arma do bolso. Lembro bem direitinho: bem no meio do peito. Ele nem gritou. Não disse nada. Eu apertei no botão do térreo e desci com um sorrisinho satisfeito nos lábios. Saí do elevador e em menos de um minuto estava na rua. Quando dobrei a esquina, comecei a correr, e corri até não poder mais. Daí comecei a caminhar, cantando aquela dos Mutantes que o Pato Fu regravou.
5 de Abril de 2003
Sabe quando tu vai numa excursão de ônibus? Sabe aquela pessoa que fica responsável pela contagem das pessoas dentro do ônibus? Por que é que essa pessoa sempre tem que levantar e dizer bem alto: "Levanta a mão quem não estiver aqui!"?
2 de Abril de 2003
MOMENTO VOCÊ S.A
Mais dicas de como dar-se bem pra caralho no ambiente de trabalho
Saiba resolver probleminhas de informática. Com o aumento do fluxo de dados nas empresas mostra-se cada vez mais importante a existência de um colega que saiba quebrar pequenos galhos com micros. Ser esse colega pode trazer muitos benefícios. Aprenda a instalar impressoras, trocar cartuchos, mapear unidades de rede, campartilhar arquivos e instalar programas. Ofereça-se para desentupir bandejas de impressão. Saiba usar um PROCV, um SOMASE, um CONT.SE e, se for capaz, um SOMARPRODUTO. Nunca, em hipótese alguma, permita que os colegas te vejam dando porradas iradas em impressoras ou batendo furiosamente com o mouse na mesa. Para eles, você precisa manter uma imagem de gênio indomável, uma pessoa que faz as unhas no salão todas as Sextas-feiras e que consegue também alterar uma macro do Excel usando Visual Basic. Entenda que você não precisa ser propriamente um Bill Gates. Em terra de cego, quem tem um olho é rei, já dizia o profeta. Você também pode eventualmente oferecer-se para realizar outras tarefas simples no trabalho, como apanhar copos no refeitório ou dar uma ajeitada nas mesas em véspera de auditoria de 5S. O importante na utilização da metodologia é ter muito cuidado para não exagerar no nível da prestação de serviço, sob pena de ser confundido com um ESTAGIÁRIO.
1 de Abril de 2003
IT'S ALL ABOUT ATTITUDE, FOLKS
Se tem coisa que eu faço muito bem é fazer de conta que eu estou trabalhando, concentradíssima ou atolada de trabalho. O que mais funciona é deixar a boa e velha HP12C ao lado do teclado e, quando eu vejo que tem alguém me olhando ou olhando na minha direção, eu ligo a máquina, somo 1000+1000, olho com uma expressão desapontada para o resultado no display, desligo a máquina e toco ficha em seja lá o que eu estiver fazendo. Outra coisa que funciona muito bem é passar o dia inteiro segurando uma caneta. Ora, uma pessoa que segura uma caneta até mesmo enquanto se serve no bandejão merece alguma espécie de distinção. E quando alguém me ataca no messenger querendo me passar alguma tarefa urgentíssima, eu respondo assim: "PRECISA SER AGORA? ETOU OCUPADA". Entenda que as letras garrafais e a subtração de letras na frase são propositais, pra dar um tom de pressa contundente. Eu espero que esse meu tipo de comportamento seja entendido como uma metodologia eficiente para driblar CHATOS, não para fingir que eu estou trabalhando. Para um resultado eficiente, repita de 1 em 1 hora expressões como "Estou fodida", "A casa caiu" ou "Maldito Excel" acompanhadas de expressões sérias e enigmáticas. Pode-se completar com um esfregar nervoso do rosto, desde que isso não se torne repetitivo. As pessoas podem dizer que você não sabe trabalhar sob pressão.
28 de Março de 2003
Assim como existe uma norma que proíbe restaurantes de usarem tábuas de madeira para cortar carne, deveria existir uma rígida lei que proibisse a indústria de picolés de usar palitos de madeira. Não tem coisa mais desagradável do que, no final de um sublime PICOLÉ DE BRIGADEIRO DA KIBON, tu ter que passar a língua em cima de uma madeirinha. Tudo o que sobra, depois de uma deliciosa quantia de chocolate mole e gelado coberta por uma casquinha também de chocolate (porém duro), é um gostinho insistente de armário. Fica a cada dia mais evidente a total incapacidade do mercado em me compreender. Já que tudo indica que o capitalismo é mesmo fodão e que pretende crescer em progressão geométrica, que ao menos os produtos me sejam disponibilizados de um jeito decente. Obrigada.
27 de Março de 2003
Pergunta: o que há de errado com pessoas que guardam chocolate na geladeira? Que graça tem comer um bloco duro de parafina com um gostinho de chocolate bem lá no fundo, que tu chega a ter que morder com os dentes do lado para não espatifar os da frente? Eu, quando compro chocolate no inverno, fico segurando a barrinha bem forte com as mãos em forma de concha, dando injeções periódicas de bafo quente, até que ela apresente uma consistência decente. Chego até a idealizar uma teoria revolucionária para dividir os seres humanos em duas únicas facções: pessoas que comem chocolate duro e pessoas que comem chocolate molenga. Aí sim, as guerras teriam um verdadeiro motivo para acontecer.
14 de Março de 2003
Bom mesmo é sentar na janela, no fundão da sala. Com todo esse mato que tem na Unisinos pode entrar pela janela, num dia de verão, uma média de 35 espécies distintas de belos insetinhos. Eu estendo a mão e os coleto quando estão recém entrando, surpresos com a claridade e o monte de gente. Num primeiro momento, deixo que eles passeiem pelas minhas mãos, explorando o anelzinho de coco e o esmalte branco das francesinhas. O limite é o meu ombro: chegou no ombro, leva um suave petelequinho. Suave para mim, porque para um insetinho de pequeno porte pode ser fatal. Formigonas têm uma espécie de passe livre que eu não entendo: podem passear tranqüilinhas, durante o tempo que quiserem. Se preferirem, podem alojar-se no meio do meu cabelo e irem pra casa comigo. Vou devagarinho até o carro para evitar que o vento as leve. Certa vez alguém me disse que a vida de uma formiga dura em média 3 dias. E é aí que eu entro: alguém que proporciona uma pequena aventurinha, nem que ela se resuma a um passeio por um salto alto de sapato ou a cócegas nas patinhas ao caminhar pelos pelinhos do meu braço estendido na classe. Os colegas, com suas gravatas de mau gosto e seus telefones realmente pequenos, dão safanões no ar ao perceberem a aproximação de um inseto. Eu não. Eu os recepciono calorosamente, oferecendo o abrigo das minhas mãos e até eventuais restos de barrinhas de cereal. Venham a mim, criaturinhas das lâmpadas.
28 de Fevereiro de 2003
SOBRE O TEMPO
Por mim, tudo bem que a temperatura esteja beirando os 42 graus. Tudo bem que a minha pele fique brilhosa e o meu couro cabeludo, molhado. Tudo bem que os condicionadores de ar não vençam o ar modorrento lá fora. Tudo bem que nem a menor das minhas blusinhas e a mais curtinha das minhas saias ventile suficientemente o meu corpo. Mas, fala sério, será que esse povo não tem outro assunto a não ser A DROGA DA TEMPERATURA?
19 de Fevereiro de 2003
Olha só que massa: hoje, na primeira aula de uma cadeira da Unisinos, o professor pediu que desenhássemos a coisa que melhor representasse o nosso estado de espírito no momento. Pois não é que uma DANDONA desenhou uma pedra e mostrou pros colegas dizendo Eu desenhei um CRISTAL, que representa energia cósmica, zen e amor. Falemos sério: como é que EU, uma entusiasta da leitura de clássicos russos, uma fiel admiradora de Edvard Münch e uma fã empolgadíssima de rock'n'roll posso sobreviver durante UM SEMESTRE INTEIRO vendo uma pinta dessas todas as Terças?
17 de Fevereiro de 2003
ALGUNS MOTIVOS PELOS QUAIS O FIM DO VERÃO SERÁ UM POUCO DOLOROSO PARA MIM
- Porque, bah, se tem coisa que eu gosto mesmo é usar meu intervalo de almoço pra ir chupar um picolé de limão da Kibon na loja de conveniência daquele posto maravilhosamente deserto perto do Zoológico.
- Porque com o fim do verão começa o ano letivo e com ele começam também aquelas reportagens ABOSTADAS da Globo que mostram uma dona de casa comprando a lista de material escolar do piá numa livraria e depois indo em outra e pagando a metade do preço. É chato.
- Porque acaba aquele esqueminha dos QUERIDOS ficarem perguntando sobre o significado das tatuagens e tal. É bom. Heh.
- Porque os condicionadores de ar são desligados e eu não posso mais fazer o rabinho-com-os-fiozinhos-de-fora-que-tremulam-ao-vento. Ok, me deixa: cada um com suas táticas.
- Porque começa a ficar friozinho e não dá mais pra dirigir na BR com o janelão aberto, deixando a língua de fora pra secar.
- Porque pouquíssimos meninos usam bermuda no inverno.
12 de Fevereiro de 2003
COCEIRA I
Tinha esse cara, um funcionário aposentado da Caixa. E esse cara tinha essa coceira abominável no ouvido direito. Incomodava demais ter que enfiar o dedo freneticamente no ouvido, até acalmar a maldita coceira. Nas fotos do casamento da sua filha mais velha - em TODAS as fotos - lá está ele, olhinhos apertados de angústia e o indicador em riste furungando o interior da orelha, que com o passar do tempo adquiriu uma coloração avermelhada bastante peculiar. Já até perdeu as contas de quantos objetos já entraram naquele ouvido: desde as tradicionais tampinhas de caneta Bic até uma pontuda agulha de crochet. O que mais o emputecia era o fato de que, apesar de manter hábitos de higiene bastante mais rigorosos do que a média da população, a coceira resistia, firme e forte.
Um dia, numa festa de Natal em que um parente bêbado pergunta o porquê daquele cavocar desesperado de ouvido, esse cara toma uma decisão importante: vai procurar ajuda médica depois do feriado.
Enquanto ascende lentamente no elevador envidraçado do prédio de renomado médico de Porto Alegre, o cara vai coçando o ouvido despreocupado, pois está bastante otimista com a visita. Passa os olhos por uma Caras antiga na sala de espera, mas nada prende sua atenção. É aí que ouve seu nome na voz fina da secretária. É sua vez. Entra na sala, resoluto. O médico lhe é bastante agradável. Faz os exames de praxe, lhe pedindo que mostre a língua e que respire fundo. Feito isso, desaparece detrás de um biombo e o cara consegue ver, através do tecido claro, que o médico toca o queixo com a mão, numa típica atitude de reflexão. Depois de dois angustiantes minutos, o médico reaparece e diz, com uma expressão vaga:
-É só uma coceira.
O cara se põe em pé, num salto. Obrigado, doutor, muitíssimo obrigado, diz o homem enquanto torce as mãos nervosamente, o senhor salvou minha vida. Sai do consultório aliviado: agora é vida nova.
25 de Janeiro de 2003
COLUNA SOCIAL
Concorrendo com adversários de peso como o último disco da Ultramen, o livro de contos do Tchekhov e o tamanco preto da Datelli, conquistou na madrugada de ontem o prêmio de MELHOR AQUISIÇÃO DO ANO DE 2002 o sensacional devedê do Sex Pistols. A organização do evento agradece a participação dos concorrentes e anuncia o lançamento de novas categorias para a premiação de 2003.
A entrega dos troféus de mentira será feita amanhã à noite, em elegante recepção para 500 convidados. "Alguns nomes famosos já estão confirmados", adiantou a porta-voz da organização. O evento promete.
23 de Janeiro de 2003
Se um repórter na rua me perguntasse "o quê, num universo de coisas que tu acha boas, é a coisa mais tri do mundo?", eu certamente diria que é fazer as vezes de temporizador. Se algum dia eu tiver grana suficiente pra comprar um carro com temporizador, eu terei apenas duas alternativas: descolar um mecânico especializado em remoção de temporizadores de veículo ou simplesmente ignorar a existência do mecanismo.
Não pode ter no mundo coisa mais legal do que dirigir na manha debaixo de uma chuva fraca (porém consistente), cantando uma do Cake e olhando aquela aguinha caindo no pára-brisa, se juntando a outras aguinhas que já estavam lá. Se for à noite, é perfeito.
Bom mesmo é quando tu, saindo do supermercado, descobre que enquanto tu comprava um saco de pão integral e frios, caiu um toró e tem UM MONTE de água acumulada no pára-brisa. Fica difícil disfarçar o passo quase corrida e o sorrisão no rosto. "Vai lá, guria", eu penso, "aquela água toda é tua". É complicado abrir a porta, com as sacolas e aquela minha bolsa marrom tri massa nas mãos. Quando eu sento no banco e ligo o carro, semicerro os olhos e levando a alavanquinha do limpador. É foda. What a fuckin' feeling, como diria a mina do Flashdance.
Rateada é quando já tava chovendo antes de eu entrar no super e o pára-brisa já estava ligado. Daí eu desligo o carro assim mesmo e o troço fica acionado. Quando eu saio do super, já fazendo cálculos do provável volume de água a ser removido em breve, minhas bochechas já estão vermelhas e minhas mãos, suadas. Eu entro , claro, vou ligar o carro pra iniciar o ritual. Só que, PUTA QUE PARIU, o troço já tava ligado, tirou o grosso da água que tinha e eu tava olhando pra baixo. Eu ainda tento desligar o negócio rapidinho pra salvar algumas gotas, mas é inútil. É difícil esconder a decepção. Então, tapando o rosto com as mãos em concha, eu caio em prantos.
Ok, eu nem choro nem nada. Mas que é foda, é.
22 de Janeiro de 2003
Em clima de paz, o Três Real derruba as barreiras do preconceito e entrevista a Vizinha Metida pra Caralho. A vizinha nos recebeu em sua confortável residência no número 50 da Theófilo Souto Maior para um bate-papo descontraído à beira da piscina de plástico, regado a Pepsi-Cola sem gás e balas de banana.
Três Real: Que habilidades permitem à senhora prever a minha chegada em casa?
Vizinha Metida pra Caralho: Depois de dois anos de cansativos estudos a seu respeito, descobri os horários-padrão das tuas chegadas e saídas, com uma margem de erro realmente pequena. Esses dados me permitem abrir a janela e fazer aquela minha cara idiota em qualquer horário que você chegar. Além dessa cara, desenvolvi um portifólio de 30 outras caras imbecis, que executo com maestria todas as vezes que olho pras suas roupas e sapatos. Além disso, desenvolvi caretas temáticas com variados significados, como “Eu sei que você bebeu”, “O outro era mais bonitinho” e “Tarde, huh?”.
TR: Até que ponto você conhece a minha vida amorosa?
VMC: Digamos que eu sei o suficiente pra abastecer a vizinhança toda com boletins diários a teu respeito durante uns seis meses. Um banco de dados com releases diários me permite, através de gráficos e complexas matrizes, saber exatamente em que pé estão os teus rolos e afins.
TR: Com base nesses dados, é possível fazer uma previsão de como será o meu 2003 em matérias de menino?
VMC: Sim. Acho que o Adriano deve acabar sendo pocado de uma vez por todas até março. O Marcelo Loirinho fará visitas esporádicas, porém proveitosas. O Estagiário Gostosinho vai continuar não te dando a mínima, mas essa é uma tendência que surgiu ainda em 2002.
TR: Bem, acho que eu vou indo.
VMC: Sim. De acordo com os meus cálculos, tu já deveria estar em casa a exatos dois minutos. Chispa.
Não é verdade que todos os ambientes de trabalho têm ao menos um GRANDE CHATO? Pois é. Hoje, pro dia nascer feliz, o GRANDE CHATO do meu trabalho entrou aqui com a BRAGUILHA ABERTA. Aberta, na verdade, é elogio. A braguilha do cara tava escancarada. Pela primeira vez na vida, eu sorri um sorriso lindão, cheio de dentes pro cara. Ver ele passar por aqui, indo e voltando, mostrando um cantinho do que eu imagino ser uma CUECA BEGE, SURRADA E COM UM BORRÃO NOS FUNDILHOS enche meu coração de júbilo. Vou ali tirar toda a água do bebedouro pro cara não tomar água, não precisar fazer xixi e manter o meu humor em 100% nessa bela manhã de janeiro.
20 de Janeiro de 2003
ME RESPONDE
Pra que tantas embalagens coloridas e temperos exóticos? Pra que tantos restaurantes caros e tantos cafés coloniais abarrotados de velhos? Pra que tantos programas de TV imbecilóides com receitas complicadas pra caralho? Pra que aqueles chapéus altos de chef e pra que servem as praças de alimentação de shopping? Pra que toda essa literatura gourmet, se a verdadeira razão para a existência desse complexo organismo chamado estômago é o PICOLÉ DE COCO DA KIBON?
10 de Janeiro de 2003
Hoje chove e tive uma visão que há tempos não tinha: o Estagiário Gostosinho de calças-cargo. Calças-cargo são pequenas injustiças com o meu auto-controle. Ainda mais se forem beges. Ainda mais se acompanhadas de camisetas Hering brancas de um provável tamanho M. Ainda mais se postas em movimento por passadas rápidas em direção à máquina de Xerox. O ideal seria criar um mecanismo que criasse uma demanda inexplicável por cópias no setor onde o Estagiário Gostosinho trabalha. Isso certamente me faria ver mais calças cargo passando por aqui. Isso, num dia de calor como o de ontem, provavelmente faria com que as calças parassem para um copinho de água mineral. Daí eu fecharia os olhinhos e imaginaria as calças-cargo atiradas num cantinho do meu quarto.
Ok. Temos a primeira resolução para 2003.
19 de Dezembro de 2002
Olha como eu sou bacaninha e mando bem à beça no Excel:
=SE(ÉERROS(SOMASE(ANTP2;$J$2&$K$2&$B7;TTAN)+SOMASE(MDTP2;$J$2&$K$2&$B7;TTMD)+SOMASE(PETP2;$J$2&$K$2&$B7;TTPE)+SOMASE(BRTP2;$J$2&$K$2&$B7;TTBR)+SOMASE(SKTP2;$J$2&$K$2&$B7;TTSK));"";(SOMASE(ANTP2;$J$2&$K$2&$B7;TTAN)+SOMASE(MDTP2;$J$2&$K$2&$B7;TTMD)+SOMASE(PETP2;$J$2&$K$2&$B7;TTPE)+SOMASE(BRTP2;$J$2&$K$2&$B7;TTBR)+SOMASE(SKTP2;$J$2&$K$2&$B7;TTSK)))
Ahn. Obrigada, obrigada.
14 de Dezembro de 2002
DAS LEIS IRREFUTÁVEIS QUE A NATUREZA MARIANÍSTICA TEM
1. Quanto mais complexo é o livro que eu estou lendo no metrô, mais alto conversam as duas pintas sentadas no banco mais próximo. E, quanto mais irritada isso me deixa, mais as pintas falam sobre doenças.
2. Para que o sinal de trânsito fique verde, basta que eu solte os cabelos para refazer o rabinho.
3. Para que o meu telefone celular pare de tocar, basta que eu o encontre dentro da bolsa.
4. Para que um DVD tranque durante a execução, basta que eu esteja deitada na minha cama confortável como nunca, segurando uma Trio Castanha com chocolate em uma mão e um copão de Pepsi Light na outra.
5. Para que o meu Excel dê um pau irreversível, basta que eu esteja fazendo uma planilha MUITO FODA e ainda não tenha salvo um kbyte sequer.
6. O carro só faz barulhão pra engatar a ré quando há gatinhos olhando pra mim e eu estou fazendo uma carinha sexy ridícula.
7. Eu só chego atrasada no trabalho quando o meu chefe chega mais cedo.
8. Sempre que eu estou fazendo uma caretinha sensual pra tomar uma cerveja gelada em embalagem long neck eu babo pelo cantinho da boca. Se eu estiver com um gatinho, ele sempre percebe.
9. Sempre que eu transporto um radinho pro banheiro pra escutar enquanto tomo banho, dá propaganda desde a minha entrada no box até a hora de me enrolar na toalha.
O que há de errado com pessoas que escrevem "risos" no meio do texto? (Era o que eu queria falar...risos...) Será que as pessoas que escrevem "risos" no meio do texto acham que precisam me dar instruções de quando e por que rir? Será que as pessoas que escrevem "risos" no meio do texto acham que eu não sou inteligente o suficiente pra saber o que é piada e o que não é? E o que se diria daquelas pessoas que escrevem uma coisa nada a ver e depois completam com um "Brincadeirinha!". Por Deus...
4 de Dezembro de 2002
WE WISH YOU A MERRY FUCKIN' CHRISTMAS
Já está em estágio de conclusão um complexo estudo que eu estou escrevendo para convencer a Aneel a proibir o uso de lâmpadas de Natal. Essa minuciosa pesquisa provará, por A + B, que a economia proporcionada pelo horário de verão é totalmente anulada pelos gastos de energia com LÂMPADAS DE NATAL IDIOTAS. Se não conseguir convencê-los a proibir totalmente as lâmpadas, quero ao menos fazê-los vetar a venda de lâmpadas de Natal COM MÚSICA para moradores das cercanias do número 76 da Theófilo Souto Maior.
HOJE,
quando eu estava caminhando no estacionamento da Unisinos, vi essa caminhonete vermelha com uma baita manchona de óleo diesel escorrendo pelo buraquinho do tanque de combustível. Daí eu pensei: Véi, se essa caminhonete é minha e eu pego o CORNO do frentista... Mas daí eu vi um adesivão do RIGOTTO no vidro de trás e pensei: Dedo no cú do proprietário da caminhonete.
ONTEM,
quando eu ia em direção aos guichês do estacionamento da Unisinos, um TIRA me parou e me pediu carona até o Rapach Lanches. O nome dele era Wanderley e ele esqueceu uma pistola prateada no banco do carona. Portanto, TIRA WANDERLEY, se você estiver lendo isso, SUA PISTOLA PRATEADA ESTÁ COMIGO.
Ok, ok, ele nem esqueceu nada. Eu só queria mesmo contar que dei carona para um TIRA.
3 de Dezembro de 2002
27 de Novembro de 2002
Finalmente descobri o motivo da indubitável superioridade dos gatos sobre os cachorros: bigodes. Vai dizer que não é muito massa tu poder ter, no aconchego do lar, um animalzinho de BIGODES? E quer saber mais? De vez em quando eu tenho a nítida impressão de que a minha gata curte Fugees.
22 de Novembro de 2002
BOOM SHALOCK LOCK BOOM
Fui almoçar em casa hoje e quando cheguei - pá - tinha um pacote do Submarino. Sabe aqueles pacotes com dez quilos de papelão e um rolo inteiro de fita adesiva em volta? Esses. Depois de um furioso embate com o pacote, me certifiquei, sorrindo, de que estava tudo lá. Pus The House of Pain pra tocar enquanto desembrulhava, alegre, o pacotinho transparente que veio ao redor do Sex Pistols. Pena que o curto intervalo de almoço e as tácitas leis da mais-valia não me permitam escutar TAMBÉM o do Sex Pistols. Se a minha formatura fosse amanhã, cancelaria tudo só para poder fazê-lo.
E o que é melhor: os caras ainda mandaram de brinde um suprimento de plástico de bolha pra estourar suficiente para quase uma semana.
20 de Novembro de 2002
MAS QUE BARBARIDADE
Até ontem, eu era uma pessoa de certa forma bem feliz. Empreguinho legal, meninos, telefone celular e aquela minha bolsa marrom que é tri massa. Mas agora eu sou MUITO MAIS FELIZ. Agora eu posso dizer que, aos vinte e dois anos, eu sou uma pessoa realizada. Comprei Fine Malt Lyrics, do The House of Pain e Kiss This, do Sex Pistols. Eu sou mesmo muito massa: enquanto a humanidade coloca aqueles LIVROS DE FIGURAS IMBECIS no topo da lista dos mais vendidos pra tentar sair da merda psicológica, eu compro discos maneiros e tenho um bônus de ao menos duas semanas repletas de alegrias.
13 de Novembro de 2002
PROJETO QUARTA-FEIRA EXPERIMENTAL
Depois de meses e meses de complexas pesquisas, é hora de trazer a público o projeto que mudará os rumos da psicologia moderna: o PROJETO QUARTA-FEIRA EXPERIMENTAL.
FAQ
E no que consiste o projeto?
Consiste basicamente na consolidação e análise de dados provenientes de estudos realizados todas as Quartas-feiras. O projeto inicia nessa Quarta-feira mesmo, às 8hs.
E que dados são esses?
Por exemplo: hoje, na primeira edição do experimento, cronometrarei minuciosamente o TEMPÃO QUE EU PERCO com micreirices como cálculo no Excel, ferramentas de busca, saites da Internet, mapeamento de unidades de rede e configuração de IMPRESSORAS FROM HELL. Sério, é muito tempo mesmo.
Tu tá recolhendo esses dados só porque tu não tem o que fazer ou tu pretende utilizá-los pra alguma coisa?
É aí que vem a parte boa: esses dados, num futuro próximo, me ajudarão na criação de maneiras de driblar esses inconvenientes e otimizar o meu dia, fazendo intervalinhos coincidentes com os tempos de espera. Já tenho um esboço mais ou menos pronto:
Retrieve no Essbase: Preparação de um copo de Nescafé
F9 na planilha de volume diário: Ir ao banheiro refazer o rabinho
Mapeamento do drive de Pelotas: Leitura de dois parágrafos do livro de contos do Tchekhov.
E quando começa mesmo o projeto?
Hoje, mané! Que coisa!
E qual será o estudo da próxima Quarta-feira?
Estou vendo a possibilidade de catalogar as vezes que A Colega de Trabalho Bad Kharma RECLAMA DA VIDA. O problema, nesse caso, é o tratamento desses dados, já que essa informação CERTAMENTE ultrapassaria as 65.536 linhas e 256 colunas que o Excel suporta. E, ahn, eu não vou usar o Access com tão pouca coisa.
Engraçado. Lá no início, o projeto parecia mais interessante.
8 de Novembro de 2002
20:46 PM - Meus colegas acabaram de estabelecer um brilhante link entre celulite e transgênicos.
20:51 PM - O professor larga um "Que SEJE feito um estudo (...)".
20:59 PM - Chega o Colega Delícia de Quarta Feira. A luz diminui e anjos cantam ao fundo.
21:10 PM - Descubro que tenho um colega chamado Richard e isso me faz sorrir.
Esqueçam tudo sobre classes sociais. O mundo, na verdade, é dividido em três grandes grupos: pessoas que não tem telefone celular, pessoas que usam MALDITOS TOQUES MUSICAIS IDIOTAS PARA CARAMBA e aqueles que conseguem utilizar tecnologia sem parecerem IMBECIS.
7 de Novembro de 2002
EVOLUÇÃO
Fim de Jogo! Pontuação: 171
Fim de Jogo! Pontuação: 378
Fim de Jogo! Pontuação: 421
Não me restam dúvidas de que o celular com joguinhos é a principal arma de um estudante de Administração de Empresas para MATAR TEMPO.
MARIANA FOOTBALL GLUB 2
Após sete anos de complexas pesquisas, o Instituto Anairam de Complexas Pesquisas chegou a uma elucidativa conclusão a respeito da profissão mais chata que existe: vendedor de cartões de crédito nos corredores da Unisinos. O terrível de tudo isso é que o cara, além de ser mala na vida real, também precisa ser mala no trabalho. Entenda que o cara é pago para ser UM CHATO DE GALOCHAS. Só de pensar na hipótese de algum dia EU vender cartões de crédito, abordando passantes incautos e oferecendo-lhes CARTÕES DE CRÉDITO IDIOTAS, já cravo as unhinhas na mesa. Pior é que o cara precisa estar preparado para qualquer tipo de pinta que aparecer e, céus, tem umas pintas MUITO estranhas. Eu, se fosse vender cartões de crédito em corredores de faculdade, desenvolveria uma metodologia baseada no trinômio EXPRESSÃO FACIAL/TAMANHO DAS PASSADAS/SAPATO, a ser aplicado quando a pinta vem vindo ao longe. Isso evitaria uma série de situações desconfortáveis, como um inflamado discurso acerca das relações burguesas, da TV Globo e da ditadura da beleza, dado por um magrelo precisando urgente de um corte de cabelo. No entanto, uma das pessoas mais bacaninhas que eu conheço é bem capaz de pular no pescoço do vendedor e agradecê-lo efusivamente pelo cartão de crédito recém adquirido.
Troca o disco, guria.
Sabe o que é muito chato? Quando o professor coloca no retroprojetor uma lâmina com uma fórmula GRANDE PARA CARALHO e a galera começa a gemer e a falar aquelas coisas que eles SEMPRE falam quando qualquer professor dá qualquer droga de fórmula grande para caralho. Dados todos os gemidos e ditos todos os lugares-comuns típicos de colegas de turma de Administração de Empresas, alguém sempre me dá a estocada final com um sorridente "Ei, professor, a HP calcula essa fórmula?". A turma explode em risadas de alegria. Eu consulto o relógio, nervosa.
5 de Novembro de 2002
Conforme prometido na semana passada, o Três Real conseguiu entrevista exclusiva com O Colega de Faculdade Mais Chato do Universo, que acaba de lançar, em edição com tiragem de 400 mil cópias o provável best seller entitulado A Sutil Arte de Irritar a Mariana, pela Uia!, editora independente de Porto Alegre. Abaixo, trechos da bombástica entrevista fornecida pelo Colega em badalada boate noturna da capital.
Mariana: Colega, você vem sempre aqui?
Colega de Faculdade Mais Chato do Universo: Não. Na verdade, o fato de eu estar aqui está diretamente relacionado com a tendência irrevogável de tu me encontrar EM QUALQUER LUGAR que tu vá. Pensa bem: tu tinha imaginado que me encontraria na FESTIQUEIJO?
M: Quando, numa aula dessas, você disse que "faz uma meditação de final de dia ao som de Kenny G", você estava mesmo tentando me matar do coração ou simplesmente tentando reafirmar sua posição no ranking Ten most annoying people I know?
CFMCU: Veja bem: é claro que se tu morresse do coração no meio da aula, eu não ficaria de nada chateado. A minha verdadeira missão naquela aula é não só te irritar muito, mas também TE IRRITAR MUITO. Portanto saiba que, além de ouvir Kenny G e Barbra Streisand, a Regina Duarte é minha atriz preferida, eu detesto cerveja, leio Martha Medeiros e não tenho a mínima idéia do que é um algoritmo. Não é maravilhoso?
M: Chega. Não dá mais. Valeu, até logo.
CFMCU: Ei, onde você vai? Eu ainda não disse que adoro dançar em queijinhos!
22 de Outubro de 2002
DO TERRORISMO SOCIAL
Eu tento muito, tu bem sabe. Mas é muito complexo gostar de gente escandalosa. Puta merda, se tem tipinho que eu detesto é o escandaloso. Pessoas simplesmente extrovertidas já são pouco palatáveis mas, por Deus, gente escandalosa é um pé no saco. Morro de raiva quando encontro alguém e a pinta me saúda com um ruidoso "E aí, mulherrrr?!?!?!". Gente que arma barracos homéricos em lojas de departamento também me entristecem muito, assim como mulheres que usam brinco de argolão e caras que usam camiseta baby look. Se eu fosse pensar bem, acabaria odiando também proprietários de cães poodle, fãs do ABBA, usuários convictos da fonte Comic Sans e até degustadoras de supermercado.
Pessoas me falam que eu odeio tudo e todos. Mas, ahn, ódio pode ser um sentimento até bem divertido. E o que é melhor: dá bastante assunto para trovar gatinhos.
11 de Outubro de 2002
E A MÚSICA BONITINHA E MUITO LEGAL DO DIA É...
I'm singing in the rain
Just singing in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again
I'm walking on clouds
So dark up above
The sun's in my heart
And I'm ready for love
Let the stormy clouds chase everyone from the place
Come on with the rain, have a smile on your face
I walk down the lane with a happy refrain
I'm singing, just singing in the rain
MARIANA FOOTBALL GLUB
Sempre que eu perco alguma coisa, lembro que o meu pai sempre fala de um universo paralelo que contém todas as coisas que são perdidas pelo mundo afora. Daí eu fico imaginando um lugar onde, ao invés de árvores, carros ou pessoas, houvesse apenas enormes prateleiras com objetos perdidos, todos minuciosamente catalogados. Eu, chegando nesse tal universo paralelo, certamente perguntaria à boneca inflável perdida que atende no balcão pelo setor das lapiseiras perdidas onde eu encontraria, com lágrimas nos olhos, a minha lapiseira verde que eu perdi ontem à noite.
Se eu fosse escrever um livro chamado De A a Z, Coisas Tri massa de se Fazer de Vez em Quando, certamente a letra P seria Preencher formulários. Não aqueles formulários idiotas com um espaço para cada letra, que eu começo preenchendo certinho e acabo nuns rabiscões. Sabe quando tu vai naqueles postos de gasolina em que, a cada dez pilas de gasolina, tu ganha um cupom para concorrer a uma merda qualquer? Esses aí são os melhores. Pena que eu sempre coloco só dez pilas, o que me deixa com um universo de campos muito limitado para preencher.
Bãi, que viagem.
7 de Outubro de 2002
LET THE FEAST BEGIN
O povo não entende como eu posso curtir tanto trabalhar nas eleições. Eu também não entendo porque, fazendo uma análise fria e calculista, aquele troço todo é mesmo UNA BUESTA. Por que?
1. Porque o povo é burro pra caralho. Dá pra ver naquelas carinhas uma dificuldade fodida pra fazer um troço tãããão simples quanto assinar um papel. Porque alguns deles não conhecem os números. Por Deus.
2. Porque os fiscais do PMDB, PFL e essas merdas todas aê têm todos a MESMÍSSIMA lata de HIJOS DE LA PUTA.
3. Porque é um saco ter que suportar os BOLHAS dos teus colegas de mesa reclamando O TEMPO TODO por não estarem em casa vendo o FAUSTÃO.
Mas tem umas coisas que até são legais:
1. Sabe aquele teu colega que tu nem sabia que existia no primeiro grau? Pois é: essa pinta aparece pra votar com piercing até debaixo dos olhos, uma saia de escocês e um bandeirão do PSTU embaixo do braço.
2. Porque tem váááários gatinhos.
3. Porque todo o ano eleitoral eu fico cuidando o Henrique, que é um fiscal MUY QUERIDO do PT. Esse ano, como não poderia deixar de ser, BEIJEI-O. Eficiência é isso aê, bródi.
4. Porque esse povo tem uns nomes muuuuuito engraçados.
1 de Outubro de 2002
Bom dia, Janaína.
Sei que não é essa a melhor maneira de se iniciar uma relação profissional. Afinal de contas, tu é nova por aqui e nós ainda não tivemos oportunidade pra conversar. De qualquer forma, achei que tu seria a pessoa que melhor entenderia o meu desespero.
Vou explicar meu problema: ontem, no refeitório, tinha salada de frutas de sobremesa. Até aí, tudo bem. Os pedacinhos de banana estavam meio velhos mas, ahn, who cares.
Hoje, Janaína, tinha hambúrguer. "O que há de errado com hambúrguer?", tu deve estar te perguntando. Era hambúrguer com frutas, Janaína. As frutas da salada de fruta, Janaína. Dá pra acreditar?
Escrevi. Quase mandei.
Alô! Bom dia! Oh, como vai você?
Um olhar de amigo, um claro sorriso, um aperto de mãããão
E a gente sem saber como e porquê
Se sente feliz e sai a cantar essa alegre cançãããão
Bom dia nada custa ao nosso coração
É bom fazer feliz ao nosso irmããããão
A Deus se deve amar
Amar sem distinçããããão
Alô! Bom dia, irmão!
Ok, eu PRECISAVA cantar isso. Tive um diazinho fodido demais pra caralho. Ao menos comprei sapatos.
27 de Setembro de 2002
Ei, o que vocês acham de colegas de faculdade que chegam na sala de aula e dão um "Boa noite!" bem alto pra todo mundo ouvir?
E o que vocês acham de um colega que, no meio da aula, saca de dentro da pasta um livro chamado Marketing Internacional, Uma Visão Sistêmica e diz ao professor a seguinte frase: "Veja com o quê eu estou me deleitando, professor"?
16 de Setembro de 2002
Tem um aspecto das eleições que ninguém lembrou de abordar: o estado emocional do Lula.
Imagina o estado do coitado do Lula, sabendo que talvez possa virar presidente do Brasil. Imagina só ele parado na frente do espelho, cofiando a barba e passando as mãos espalmadas furiosamente pelo rosto. Lágrimas furtivas rolam de seus olhos vermelhos. "Caralho", ele diz, "eu vou ser o presidente dessa porra toda aê. É isso mesmo que eu queria? 10 quilos a mais e uma coleção de abotoaduras?". Nah, não é isso que o Lula queria.
Coitado, mesmo. Mas uma coisa ele já sabia: esse negócio de liderar massas é coisa pra gente medíocre.
Uma coisa é certa: é 10.000 vezes mais tocante ver um cachorrinho coçando as costas no asfalto do que um milhão daquelas apresentaçõezinhas de Power Point com fotos de casais caminhando descalços na praia e filhotes de gatos enfiados num cesto.
DA SÉRIE AS PERGUNTAS CRETINAS QUE EU ÀS VEZES ME FAÇO
Suponhamos que tu, sem querer, descobre que vai morrer dentro de 24 horas, num terrível acidente com uma bigorna. Suponhamos também que tu só tenha duas alternativas de comportamento pro dia anterior à tua morte: Ou tu passa o dia todo quieto no teu quarto, deitado na cama (The Cure ao fundo é opcional) fazendo porra nenhuma ou toma um trago, sai e abraça todo mundo carinhosamente. O que tu escolheria?
14 de Setembro de 2002
13 de Setembro de 2002
BRITTO 23
Uma coisa é certa: todos os eleitores do Britto têm a mesma cara. Claro que eles se dividem entre homens, mulheres e crianças mas, de uma forma geral, eles todos têm a mesma lata, é de matar de rir.
HOMENS: Sabe aqueles caras meio inchados de bebida, com um cigarro do Paraguai pendendo da boca? Aqueles que falam um monte de merda pra mulherada na rua? Os que veraneiam em Cidreira e deixam latas de cerveja Kaiser vazias na areia da praia? Esses.
MULHERES: As esposas desses caras, evidentemente. Apanham do marido umas 4 vezes por ano, doam R$ 10 para o Criança Esperança todos os anos e , é claro, são telespectadoras fidelíssimas da Rede Bobo.
CRIANÇAS: Quando bebês, são gordinhos e ranhentos. Quando mais taludinhos, vão mal pra caramba em Língua Portuguesa na escola e, se meninos, quebram pernas de colegas em jogos de futebol no campinho da escola.
Ei, eu poderia ter poupado tempo descrevendo A FAMÍLIA ELEITORA DO BRITTO.
9 de Setembro de 2002
Ei, quer ver a contabilidade mais lamentável do mundo? Eu tenho exatas SEIS peças de roupas queimadas por cigarros de estranhos em festas que eu muito provavelmente odiei.
Gastas os tubos com serviços de análise? Estás em busca do teu "eu" interior? Tens o cartão de fidelidade daquela lojinha de bugigangas esotéricas do Praia de Belas? Pois é: Sexta-feira, na BR 116, desenvolvi um modelo de auto-avaliação fodido baseado única e exclusivamente em uma pergunta:
SE TU FOSSE RICO E FOSSE CONSTRUIR UM PRÉDIO DE APARTAMENTOS PARA ALUGAR, QUE NOME TU DARIA AO EDIFÍCIO?
Ah, obrigada. Eu sei que o modelo é genial.
CINCO DECISÕES PRA LÁ DE SENSATAS QUE TODO MUNDO DEVERIA TOMAR
- Beber Pepsi pelo resto da vida;
- Tornar-se fã do Pato Fu;
- Votar no Lula;
- Ler todos os livros do Scliar;
- Fuçar com determinação e paciência o balaio da Multisom.
DICA DE BELEZA DO DIA
Que viagem: a pele do meu rosto, a uns dois metros de distância, é clarinha e bem bonita. Mas se tu olhar bem de perto, no inverno, vai ver que a minha sobrancelha tem tipo umas caspinhas de pele seca e, quando eu saio do banho e entro no meu quarto quente, minha cara fica cheia de pequenas manchas vermelhas. Bem, o que eu queria dizer aqui é o seguinte: o único produto capaz de domar essa delicada tez de pêssego é um hidratante com os seguintes dizeres: HIDRATANTE PARA O CORPO, NÃO UTILIZE NA PELE DO ROSTO.
Definitivamente, o mercado não me entende.
DOMINGO é um dia unanimemente ruim. Mas que é bom sair do banho numa tarde morninha de Domingo e ficar 20 minutos olhando o próprio reflexo na janela, penteando os cabelos encharcados e escutando Portishead, ah é.
6 de Setembro de 2002
COMO ES MI CUERPO?
Quanto pesa um cantinho de unha? Vamos supor que um cantinho de unha (e com isso eu quero dizer cantinho de dedo, porque roer unha é coisa pra psicopata) pese mais ou menos 0,01g. Como eu tenho dez dedos nas mãos, isso dá 0,1g por par de mãos. Dado que eu mordo todos os cantinhos dos dedos (são dois cantinhos para cada dedo) todos os dias, o meu consumo diário de pele humana própria é de 0,2g, sem contar a pele que eu mordo dos cantinhos da boca, o que, no final das contas, contabiliza uns 0,3g.
Na falta de alguém para comer, como-me a mim mesma.
DAS COISAS 2
Acabar canetas é uma arte. Véi, eu perco uma média de três canetas por semana, com um desvio padrão de seis canetas na última semana de 2001. Fechamento de ano na Grande Fábrica de Mijo, sabe cumé. Já tentei projetar uma caneta cirurgicamente anexável ao corpo humano mas, mais uma vez, fui tolhida pelos meus paupérrimos conhecimentos de AutoCad.
DAS COISAS 1
Não dá pra descrever o quão feliz eu fico quando recebo uma nota de R$ 2 de troco. Me lembro bem quando recebi a primeira, abastecendo o carro num posto de gasolina. Não, não coloquei R$ 3. Comprei uma Pepsi e o cara me deu R$ 2 de troco. Sorri largamente e por muito pouco não beijo as mãos do frentista.
Imagina a minha empolgação quando do lançamento da nota de R$ 10 de plástico.
3 de Setembro de 2002
Ontem tinha uma foto do Ciro Gomes e da Patrícia Pillar na Expointer, vestindo ponchos. Sim, ponchos.
Precisava?
30 de Agosto de 2002
O QUE HOUVE COM O CAETANO VELOSO?
ANTES
Será que nunca faremos se não confirmar
A incompetência da América Católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
DEPOIS
Mas naquele tempo eu não sabia
Que isso é que dissiparia a treva
Em que o amor lançou meu coração.
Você é minha.
Ninguém se atreva,
Porque nós dois somos um time campeão.
Deus do céu, uma catástrofe de proporções inacreditáveis acabou de acontecer. A MÁQUINA DE XEROX ESTRAGOU. Eu já fui lá, abri o troço, olhei tudo por dentro em busca de alguma folha que estivesse impedindo o correto funcionamento da máquina, mas fui tolhida pelos meus parcos conhecimentos de eletrônica. Agora sim, eu nunca mais verei o ESTAGIÁRIO GOSTOSINHO. Entenda: a única coisa que o faz pintar por essas bandas é a necessidade de tirar cópias. Quando eu vejo, por detrás do vidro do cubículo, aquele pacote de folhas A4 vermelho vindo pra cá, subitamente o dia fica mais claro e morninho, meus olhos ficam mais abertos e as palmas das minhas mãos suadas.
Ok, ok, nada disso acontece. Mas que ele é gostosinho, é.
28 de Agosto de 2002
São nove horas e dezenove minutos, o ambulatório fecha às dez e até lá eu preciso resolver se tomo ou não a MALDITA SEGUNDA DOSE DA VACINA CONTRA TÉTANO E DIFTERIA. Pior é que o caralho da vacina é dividido em três doses. A primeira doeu demais (e olha que eu não sou fresca, de forma alguma). E, cacete, qual é a real probabilidade de eu contrair TÉTANO?
Ah, como é bom ser adulta, responsável e tomar decisões realmente importantes pra história da humanidade.
26 de Agosto de 2002
Ei, sabia que na minha empresa tem uma mina chamada Geomárcia? Caralho! De que matéria será que a mãe dela dá aula?
A coisa mais chata de trabalhar em empresa grande é cumprimentar os colegas. Veja bem: eu curto os meus colegas pra caramba, gosto de vê-los de manhã e desejá-los um bom dia ( e eu realmente quero que todo mundo tenha dias muito bons). O que eu tô falando é que é muito chato quando tu cruza com o mesmo colega várias vezes durante o dia, só que em horários e locais diferentes. O que eu devo fazer? Cumprimentar outra vez? Olhar e sorrir? Quantas vezes? Tentei lembrar o que eu fazia quando isso acontecia e, ahn, eu faço um troço ridículo à beça, que se resume num sorrisinho que lembra um til. Sim, um TIL.
O sistema deu um jeito de me punir. Duas horas depois de ter tido um faniquito pelo recebimento de um e-mail feminista pra caralho, recebi um e-mail com um texto da MARTHA MEDEIROS. Puxa vida, Daniil Kharms está escrito na minha testa. Martha Medeiros, não. Moacyr Scliar está escrito na minha testa. Martha Medeiros, não. Saca só que coisinha medonha:
"Economizaríamos fortunas em cabeleireiros e academias se os homens fossem direto ao que interessa, na alma e no espírito, para os quais não adianta maquiagem."
Ei, só eu estou arrancando os cabelos com isso? Como eu, segundo alguns conhecidos, PRECISO diminuir o ódio no meu coraçãozinho, vou dar logo o veredito e acabar com essa PUTARIA de ficar perdendo tempo com essa chata: Dedo no cú da Martha Medeiros.
Não é que eu fique tentando desesperadamente passar impressões para as pessoas, nem nada. Não é isso. O que eu acho é que, de alguma forma, eu passo uma impressão de que eu não sou guriazinha (ok, ok, tô sabendo que não escolhi o melhor termo). Por que diabos as pessoas insistem em me encaminhar esses MALDITOS E-MAILS FEMINISTAS? Olha só esse, falando das vantagens de ser mulher:
4 - 98% da indústria de cosméticos é voltada pra nós.
5 - 89% da indústria da moda, idem.
Caralho, neguinho tem que ser MUITO BURRO DEMAIS PRA CARALHO pra achar que isso é alguma espécie de vantagem. Eu quero mais é que a indústria de cosméticos e da porra da moda tomem no cú.
33 - Em caso de divórcio, recebemos pensão e ficamos com a guarda dos filhos. (Ok, ok, sem comentários nesse).
34 - Somos monogâmicas. (Hahahaha Hehehehe Hihihihihi, essa é mesmo muuuito boa)
37 - A Globo torra milhões em novelas, só pra nós. (Piça para a Globo)
38 - A programação da TV é 90% voltada pra nós. (Piça dupla para a programação de TV)
22 - Não broxamos. (Big fat lie, aye?)
21 - Podemos ficar excitadas sem que ninguém perceba. (Tá, essa é bem boa mesmo, ainda mais pra mim)
Tá, agora falando sério: Que se foda o feminismo.
23 de Agosto de 2002
O pessoal do trabalho (bem como o pessoal em geral) diz que eu sou ranzinza pra caralho. Mal-humorada, mesmo. Eu aceito bem essas críticas, mas em uma coisa todo mundo tem que concordar comigo: Pessoas que dão duplo clique em ambiente web são burras pra caralho. Segundo a minha teoria, existe uma espécie de checklist de perguntas e itens que, se combinados da maneira certa, indicam se a pessoa é do caralho ou não. Uma delas é o duplo clique em ambiente web.
Eu tenho todos os discos do Zeca Baleiro, mas quase não os escuto. Entenda: não é que eu não goste, é só que o que eu gosto mesmo é rock'n'roll. Olha só:
Você só pensa em grana, meu amor
Você só quer saber quanto custou a minha roupa, custou a minha roupa
Você só quer saber quando que eu vou
Trocar meu carro novo por um novo carro novo, um novo carro novo, meu amor
Você rasga os poemas que eu te dou
Mas nunca vi você rasgar dinheiro
Você vai me jurar eterno amor
Se eu comprar um dia o mundo inteiro
Quando eu nasci um anjo só baixou
Falou que eu seria um executivo
E desde então eu vivo com o meu banjo
Executando os rocks do meu livro
Enquanto você ri no seu conforto
Enquanto você me fala entre dentes
Poeta bom, meu bem, poeta morto
20 de Agosto de 2002
Eu ainda não consegui descobrir se eu gosto ou não de trabalhar. O fato é que, sempre que eu estou trabalhando, pintam vários gatinhos e tem também todo um pacote de parcerias que tu adquire. Ou seja, tem lá suas vantagens. Legal mesmo seria se eu pudesse fazer coisas menos complexas, como vender milho cozido na beira da praia, por exemplo. Ou cortar cutículas de mulheres muito ricas num salão de beleza por aí. Ou ser como aqueles caras que trabalham no estacionamento da Unisinos, cuja tarefa mais complexa da rotina consiste basicamente em abanar o braço para cima e para baixo indicando a existência ou não de vagas.
Que merda, agora fiquei com vontade de abrir a banca de milho cozido. O foda é que eu não dou muito certo nesses lances de comida: trabalhei durante uns meses num lugar que vendia sanduíches e, véi, EU DEI MUITA COMIDA. Uma vez veio um cara muito QUERIDO que pediu um sanduíche grande, um refri grande e uma batata grande. Pagou cinqüenta centavos. Acabei ficando com vergonha de pedir o telefone, ou seja, me dei mal à beça.
Que diazinho massa. Tá chovendo e meio frio. Vai dizer que não tem situações em que o clima não condiz com o lugar? Dia desses eu desci do carro no estacionamento da Unisinos e tinha um vento extremamente Nova Tramandaí. Eu fechei os olhinhos e viajei que tava lá, sentada na cozinha jogando canastra com a Daniela. Pra completar, hoje é feriado em Sapucaia do Sul e eu, ao menos teoricamente, não deveria estar colaborando com a mais-valia. Mas, ahn, estou.
Já ontem foi um dia ruim e quando eu digo isso, man, I mean it. O Osmar morreu, num acidente de carro em São Gabriel. Triste, triste. Eu tinha falado com ele duas ou três horas antes.
Bobagem aquilo de mais-valia ali em cima. Eu vim só pra ver os meus e-mails.
19 de Agosto de 2002
ALGUMAS QUESTÕES MUITO INTRIGANTES DEMAIS PRA CARALHO
- Por que as pessoas insistem em escrever merdas como CD's, DVD's e TV's? Que merda de apóstrofo é esse? Qual é a relação entre o plural de siglas e o Genetive Case?
- Por que as filas dos caixas eletrônicos do Banco do Brasil de Sapucaia do Sul são infinitamente maiores do que as dos caixas normais? (Ok, dessa aí eu sei a resposta, o duro é admitir)
- Como será que foi a primeira vez que o homem resolveu cozinhar feijões? Se eu fosse de Marte e viesse dar uma banda na Terra, qual seria a minha opinião sobre feijões?
MICROSOFT EXCEL
Ok, uma coisa é certa nesse mundo: O Excel é a coisa mais tri massa que o nosso bom e velho Bill Gates conseguiu fazer. Essas fórmulas são mesmo muito legais e eu morro de dó de quem não sabe do que esse troço é capaz. E olha que eu sou tri fã de Cobol. Access mode is random.
Dava pra tirar o cálculo automático, mas daí o fluxo de ligações para o pessoal da informática ia aumentar muito muito mesmo, porque tem muito nego aí que não sabe que é só apertar F9 pra calcular as células.
Bah, dia desses eu fui fazer qualquer coisa num dos micros do laboratório da Unisinos, daí tinha essa guria sentadinha no micro ao lado. A guria digitou a URL no browser e ficou esperando que o micro fizesse o serviço. Ela não apertou Enter. Que espertona. Eu, como tri boazinha que sou, alertei ela da bubagi que ela tava fazendo.
Eu olho aqui em volta de mim e 70% da paisagem é composta de teclas: telefone, o teclado do micro, os botões do mouse, o celular, a HP12C. Mas é engraçado como algumas pessoas simplesmente desconhecem a utilização de teclas. Eu costumo trabalhar nas eleições e, caralho, TEM MUITA GENTE QUE NÃO SABE DO IMPULSO ELETRÔNICO QUE ROLA NAS MAQUININHAS. As pessoas não sabem que é preciso pressionar os botões. Tu precisa fazer a mímica para a pessoa ver, como se tu tivesse votando numa urna eletrônica imaginária. Que paisinho de merda.
Tri massa essa sensação de estômago MUITO CHEIO DEMAIS PRA CARALHO. Eu fico com uma forte sensação de que todo o meu corpo está cheio de comida quente, até as panturrilhas. Feijão.
Acabei não indo ao Mac Dia Feliz. Domingo estranho, com aquele calor todo e os beijos na boca do Cauê, que não foram maus. Meti até um campeonatozinho de taekwondo na tarde, coisa mui bacaninha. Um dia serei faixa preta e quebrarei a cara de todos.
17 de Agosto de 2002
Hehehehe. Quem lê as últimas inserções aí embaixo vai achar que eu só existo das onze ao meio dia. Bem, não é verdade.
Vidinha. São onze e picos e eu acabei de chegar no trabalho, toda de preto, com um par de olheiras sem precedentes na história da humanidade e um decotezinho terrifying. Ok, ok. Vou ver se vou ao Mac Dia Feliz, como um Big Mac e sou perdoada por todos os meus pecados.
16 de Agosto de 2002
Amanhã é Mac Dia Feliz. Não vou nem fodendo.
Estou trabalhando forte em um modelo avançado de avaliação de personalidade baseado em 5 perguntas, que seguem:
- Tu usa (ou já usou) chinelo Rider?
- Tu come fio de ovos?
- Tu usa teclas de atalho para substituir o mouse?
- Tu já usou uma caneta até acabar toda a tinta?
- Tu curtia "Vamp"?
Ainda estou escrevendo a interpretação pra essas perguntas, mas desde já garanto que o lance é batata.
15 de Agosto de 2002
Ontem alguns colegas de trabalho me proporcionaram a banda mais surreal do mês: um roteiro que incluía Charqueadas, São Jerônimo e General Câmara. Eu sei que é duro de acreditar, mas Charqueadas é tão ou mais feiosa que Sapucaia. Olha que, caralho, Sapucaia se puxa muito.
O que eu mais gosto dessas viagens é olhar os bois. Como é que pode? De uma amostragem de mais ou menos mil boizinhos, TODOS estavam de cabeça baixa, boquinhas encostadas no pasto verdinho. Eu também gosto de olhar, de dentro do carro, um lugar muito longe demais pra caralho e pensar bah, eu queria estar lá.
A trilha sonora é que foi ruim.
Na volta eu dormi no banco de trás e o Fonseca me acordou pra me dizer que o nosso chefe tinha sido despedido. Caralho.
